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sexta-feira, abril 12, 2024
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Idosos de aldeias Xerente se formam na primeira turma indígena do Brasil

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Colação de grau aconteceu na noite de quinta-feira (21) em escola indígena de Tocantínia. Curso teve duração de 18 meses e foi ofertado pela Universidade da Maturidade (UMA).

Depois de um ano e meio marcado por muita troca de conhecimentos voltados à cultura indígena, 28 anciãos da etnia Xerente se formaram pela Universidade Federal do Tocantins, por meio do projeto Universidade da Maturidade (UMA). A formatura aconteceu na noite de quinta-feira (21), no Centro de Ensino Médio Indígena Xerente (Cemix) em Tocantínia.

As aulas começaram no segundo semestre de 2021. Agora, os idosos indígenas, 20 mulheres e 8 homens, conquistaram o título de educadores políticos sociais do envelhecimento humano. Os alunos fazem parte de seis aldeias: Funil, Rio Verde, Salto, Saltinho, Porteira e Recanto Krite.

Uma mistura da cultura do homem branco e indígena marcou a cerimônia de formatura. Toda a solenidade foi celebrada em português e akwê, idioma comum da etnia.

No decorrer do curso, a turma perdeu dois colegas e na formatura, eles foram homenageados. Uma das perdas foi a de Suzana Xerente. Quando o curso dava seus primeiros passos, ela chegou a conversar com a TV Anhanguera para falar das expectativas para as aulas ainda em 2021.

O irmão dela, Augusto Xerente, de 53 anos, um dos formandos, contou que Suzana morreu no dia 7 de fevereiro de 2022 e que foi difícil continuar as aulas. “Eu estava até desistindo, mas depois voltei. Hoje o sentimento é de tristeza, mas também de alegria. Estou aqui como pai também”, disse, afirmando que incentiva os estudos dos três filhos.

Aos 58 anos, Iraci Xerente, uma das formandas, disse que o momento é de muita felicidade e que começou a fazer o curso para não ficar ‘esquecida em casa’.

“Para mim foi bom, a gente recordou tudo que estávamos guardando. Hoje nós estamos aqui se formando como era antigamente, que ensinou a passar a cultura, tradição. Estou aqui muito feliz poque a gente nem pensava que iria chegar aqui com essa beca”, afirmou, relembrando que nas aulas eram tratados muitos temas da cultura e da língua tradicional da etnia Xerente.

O outro colega que faleceu durante o curso é cunhado de Iraci. Ela disse que eles se formariam juntos. “Não é todo mundo que chega nessa idade, que enfrenta. Perdemos meu cunhado, minha irmã está só, lutando, mas ela está continuando. Mas a vida é assim, a gente tem que continuar”, disse.

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